Matéria Revista Claudia – Terapia de Vidas Passadas

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Segue abaixo a matéria da Claudia de abril de 2009, para a qual fui entrevistada:

Terapia de Vidas Passadas

(até para quem não acredita)

 

O objetivo não é descobrir se você foi uma camponesa ou uma rainha no século 16, e sim acionar camadas profundas do inconsciente para desbloquear emoções, tratar fobias e sintomas crônicos

           

Será que o seu problema atual tem uma causa muito mais antiga do que imagina? Esse é o mote da Terapia de Vidas Passadas (TVP), que chegou ao Brasil há pouco mais de 20 anos.

O método teve origem nos Estados Unidos na década de 1960 e permite acessar experiências registradas na área mais profunda do inconsciente. O tratamento dura de quatro meses a um ano e é indicado para vários tipos de fobia e questões emocionais; casos de infertilidade que a medicina não explica (quando não há motivos biológicos); ou queixas pontuais de saúde, como enxaqueca crônica. “Muitos procuram a TVP depois de passar por diversos tratamentos médicos e terapêuticos sem resultado” conta Milton Menezes, que coordenou o Seminário Internacional de Terapias Regressivas, realizado em 2008 no Rio de Janeiro.

O processo inicial da TVP é simples: a pessoa fica deitada, em ambiente tranquilo. O terapeuta faz uma contagem regressiva que a induz a acessar uma imagem, um som, alguma reação física ou a intuição. O paciente revela esse conteúdo e o terapeuta faz perguntas a respeito. Depois disso, há várias sessões de conversa para elaborar as emoções mobilizadas.

 

Efeito positivo

 

A paulista Marta de Abreu Mendes, 48 anos, procurou o método em 2006, depois de sofrer por mais de três decadas de blefarite. “O problema começou quando fiz 15 anos: minha pupila esquerda tinha uma dilatação inexplicável, o que provocava dor e inflamação ocular, além da descamação da pálpebra. Fiz dezenas de exames e vários tratamentos médicos sem conseguir alívio. Recorri à TVP como último recurso. Na sessão, me vi adolescente, mais ou menos com a mesma idade que tinha quando apareceu a doença. Estava com roupas antigas, rodeada de sacerdotes que queriam me punir porque eu via espíritos. Eles arrancaram meu olho esquerdo! Durante uma hora, revivi toda a dor física, o pavor, o trauma, mas saí de lá aliviada e, desde aquele dia, a blefarite desapareceu. A pupila continuou dilatada, mas as dores acabaram e os últimos exames comprovam que meus olhos voltaram ao normal. Além disso, eu tinha medos infundados, que sumiram.” Porém, será que tal episódio aconteceu mesmo em uma vida passada? “Não há como saber. Mas, para mim, o efeito foi tão positivo que isso não importa”, diz Marta, que não segue religião alguma.

Para os especialistas, os benefícios estão associados à possibilidade de acessar os níveis mais profundos do inconsciente, e não às crenças religiosas.

“Já tive vários pacientes ateus e evangélicos, que não creem em reencarnação”, diz Menezes. Ele explica que , embora muitos episódios da regressão sejam trágicos, envolvendo situações de violência e morte, os momentos bons também são acessados e trazem conforto.

Depois da regressão, as sessões de conversa são importantes, para associar a experiência com a vida atual. “Na catarse, a pessoa descarrega aquela energia presa e, então, começamos a fase de “desidentificação”: o paciente toma consciência do que viveu, resgata o que faltava ser apreendido e encontra os meios para harmonizar o presente. A TVP pode, inclusive, acessar memórias dessa vida mesmo”, afirma a terapeuta Camila Sampaio, de São Paulo.

Ela conta o caso de uma jovem que procurou a terapia porque estava se relacionando com dois rapazes. Ficava perturbada, mas não conseguia se decidir. Fazendo a regressão, ela viu a mãe, ainda jovem, que, apesar de ter um namorado, se apaixonou por outro, com quem acabou se casando grávida. O antigo namorado descobriu a traição e ficou com muita raiva. Na vivência, a moça viu o pai e o outro homem brigando. Ao chegar em casa, conversou com a mãe. Ela confirmou a história, que precedera seu nascimento, e até mostrou uma foto do ex-namorado – era idêntico ao que a jovem tinha visto na sessão de terapia. “A sessão teve um efeito de limpeza energética, a jovem deixou de se sentir perdida e escolheu o parceiro com quem queria ficar”, relata Camila.

 

Sem mitos

 

·        Se a motivação para fazer a TVP é saber se na outra vida você foi Cleópatra, a decepção será total. Embora os livros contem casos palacianos, 99% das regressões feitas em consultório revela episódios protagonizados por gente comum.

·        Durante a regressão, a pessoa não perde a consciência. Apenas 10% dos pacientes entram em transe superprofundo. Porém, como o processo inclui catarse (transpiração excessiva, gritos, choro), reações físicas e insights serão integrados até o fim da sessão. Não há risco de ficar “presa” no passado.

·        A TVP pode desencadear fortes emoções. Por isso, é contraindicada para gestantes e psicóticos. Cardíacos devem apresentar laudo médico antes de iniciar o processo.

·        Os conselhos de Psicologia não reconhecem a TVP como psicoterapia. Tente certificar-se de que o profissional escolhido tem experiência no setor de saúde e participa de pesquisas.

 

Revista Claudia – abril de 2009

Texto de Liliane Oraggio

 

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