Monografia parte 3 – A TVP no Brasil – breve histórico

netherton

Morris Netherton escreveu apenas uma obra: Vida Passada, uma abordagem psicoterápica, em 1979. Fundou a Association for Past-Life Research and Therapy, na qual o casal Ney e Maria Julia Prieto Peres foi estudar. A técnica, dessa forma, foi importada para o Brasil, e o casal participou da fundação da ABTVP em 1987 (Associação Brasileira de Terapia de Vidas Passadas).

A ABTVP mais tarde passou a se chamar ABEP-TVP (Associação Brasileira de Estudo e Pesquisa em Vivências Passadas). Trata a TVP como um conhecimento em formação, e como uma técnica psicoterápica complementar. Fez parte da sua constituição original Livio Túlio Pincherle; Michel Chebli Maluf; Dirce Barsottini; Elaine G. de Lucca; Hans Wolfgang TenDam; Maria Elisa dos Santos; Ruth Brasil Mesquita; Judith M. Sá e Benevides; Herminia Prado Godoy; Maria Teodora Ribeiro Guimarães; Maria Julia Prieto Peres; Ney Prieto Peres, dentre outros[1].

Mais tarde surgiram o INTVP (Instituto Nacional de Pesquisa em Terapia Regressiva Vivencial) em 1989, e a SBTVP (Sociedade Brasileira de Terapia de Vidas Passadas) em 1994.

Segundo o INTVP, chefiado por Maria Julia Prieto Peres e seu filho, Dr. Julio Peres, temos a Terapia Reestruturativa Vivencial Peres, onde as lembranças do paciente são uma reconstrução do fato, e não uma cópia[2]. O paciente, a partir da vivência da regressão, entra em um processo de autoresolução de conflitos, ressignificando esse passado na sua vida atual. O INTP trabalha apenas com o lado terapêutico, sem levar em conta o lado espiritual ou religioso.

A terapia é indicada em casos de transtornos psíquicos, neuróticos, orgânicos e problemas de relacionamento interpessoal. É desaconselhada no caso de gestantes e curiosidade. Também desaconselha a autoregressão e a regressão em grupos[3].

Já em Campinas, a fundadora da SBTVP é a Dra. Maria Teodora Ribeiro Guimarães. O trabalho da autora é significativo na produção brasileira sobre o tema. A Dra. Teodora já possui três livros publicados sobre o assunto, e tem algumas posturas teóricas que devem ser ressaltadas:

“A Terapia de Vida Passada é um tratamento psicológico que se processa com regressões de memória. Sessões de regressão no tempo, partindo da informação, da decodificação que o terapeuta dá ao chamado inconsciente do indivíduo, sobre o problema a ser resolvido, com a proposta de se chegar ao passado, em vivências passadas, em outras vidas, onde supostamente está a origem desse problema.

Costumamos dizer que um dos objetivos básicos da Terapia de Vida Passada é tratar, numa palavra simples, os traumas do passado que repercutem ainda hoje em nossas vidas. Percebemos que a maioria desses traumas ou, pelo menos, grande parte deles é incorporada como tais em nossa linha de vida, em nossa essência, em nosso eu superior, em nosso espírito ou como quer que se queira denominar nossa individualidade, em momentos de morte mal resolvidos onde, sob o impacto de forte emoção, costumamos tomar decisões erradas a respeito dos acontecimentos que nos rodeiam.

E o carma? Bem, o carma nos parece ser resultado do inverso; isto é, das decisões, digamos corretas, tomadas no período intervidas.

Parece que ou repetimos os mesmos padrões de comportamento passados, de uma forma mais ou menos atenuada, ou fazemos e sentimos algo diametralmente oposto daquilo que já nos aconteceu, numa tentativa desesperada de fugir da tragédia final do nosso personagem.”

                                                              Viajantes, pp. 30, 54-55, 56, 70.

 

A contribuição da autora é abordar o lado espiritual da questão. Disserta sobre as “presenças” no setting terapêutico, sobre a influência que elas causam na vida atual da pessoa e sobre a interação entre presença e paciente nas vidas passadas. Enfatiza que nossa vida continua, mas a vida dos nossos inimigos também, e nada mais natural que eles continuem nos odiando e querendo fazer a justiça.

 Além disso, a autora trabalha o conceito de caráter e de padrão/contrapadrão. Ou seja: o caráter é fruto de tudo que foi construído pela própria pessoa em outras vidas. E existem padrões sendo repetidos, ou exatamente o oposto, de forma tão doentia quanto.

Não é encorajado o reconhecimento da presença. Deve-se apenas buscar a história, e não com quem ela ocorreu. A identificação só pode ocorrer se for espontânea. Outro diferencial foi registrar de forma cronológica as vivências de um só paciente, Leo, que possui imenso detalhamento nas recordações.

O grande objetivo, nessa abordagem da TVP, seria buscar a resignação, pois a grande maioria dos problemas, na visão da autora, advém de uma postura de cobrança perante a vida, querendo que ela seja conforme os nossos caprichos.

Mais tarde, a partir da SBTVP, surgiram duas outras instituições: ANTVP (Associação Nacional de Terapeutas de Vida Passada), com sede em Campinas e núcleos por todo o território nacional; e IBRAPE-TVP (Instituto Brasileiro de Pesquisa em Terapia de Vida Passada), com sede no Rio de Janeiro.

Segundo Marisa Machado Loti, diretora de formação, a ANTVP surgiu oficialmente em janeiro de 2000, com a intenção de formar novos terapeutas por todo o território nacional e de promover encontros e palestras informativas também para o público leigo.

O IBRAPE-TVP, que começou sua atividade em 1999, tem como objetivo realizar pesquisas teóricas e empíricas dentro da área e promover a divulgação da técnica. Algumas linhas de pesquisa estão sendo delineadas pelo grupo: TVP e as concepções da ciência contemporânea (mudanças paradigmáticas); TVP e psicopatologias (validade e eficácia terapêutica); Técnicas de indução ao transe regressivo; Fenomenologia e efeitos da TVP e correlações com outros contextos experienciais (EQM, experiências transpessoais etc); Técnicas de Transformação. Há também estudos sobre Psicologia Transpessoal.

Todas as instituições acima insistem na qualidade da formação, com cursos longos, de no mínimo um ano, e que exigem a formação em Psicologia ou Psiquiatria.

Um nome muito importante afora essa comunidade acadêmica é J.S. Godinho. Ele é terapeuta holístico, e o fundador de um novo paradigma dentro da TVP brasileira, correlacionando-a com a Apometria e seu respectivo corpus teórico.

J. S. Godinho começou a perceber como a TVP funcionava na prática. Após anos de experiências conheceu a parte teórica dos outros autores. Assim como Márcio Godinho, trabalha de forma autônoma e itinerante, ministrando cursos e workshops, e dirige um centro espírita em Lages.

Ele introduz alguns conceitos importantes:

a) O fato de que na verdade nossas vidas passadas são níveis conscienciais, que fazem parte do nosso bloco psíquico;

b) A sistematização dos nossos sete corpos: físico, duplo etérico, astral, mental inferior, mental superior, búdico e átmico. Cada um com sete níveis e sete subníveis;

c) A continuidade multidimensional dos níveis, ou seja, as vidas passadas não são exatamente passadas;

d) A necessidade de harmonização dos níveis. Como as vidas passadas continuam atuantes em outra dimensão e influenciam a presente, não adianta simplesmente a catarse. É necessário reeducar o(s) nível(is) em questão.

O autor enfatiza:

“Normalmente, trabalhamos buscando liberar os conteúdos perturbadores do passado incrustados no inconsciente, e também por possuirmos equipe de sensitivos treinados em técnica apométrica, tratamos o aspecto espiritual.

Evidentemente que por serem tratamentos diferentes, fazemos isso em momentos diferentes também. Mas paralelamente.

Além disso, em virtude da nossa longa experiência nesse tipo de problemática, orientamos o redirecionamento de posturas e objetivos diante do seu projeto de vida, e principalmente sobre o costumeiro descuido com relação à realidade espiritual.

Sugerimos a correção de hábitos negativos, que invariavelmente são inconscientes e movidos por automatismos, os vários “níveis” ou “eus”, mas que dão margem à sintonia com energias de baixa vibração.”

Psiquismo em Terapia, p. 74

 

Assim como Netherton, Godinho dá grande importância para a fase uterina. Mas enfatiza que um trauma pode eclodir em qualquer época da vida.

Um ponto importante abordado, não muito comentado por outros autores, é que a regressão pode acontecer de forma inconsciente, de forma muito mais freqüente do que se pensa. O paciente não tem contato com as imagens, nem relata nada, mas o processo ocorre e a melhora também. Algumas pessoas pensam que não conseguem relaxar ou que não aconteceu nada, e na verdade aconteceu.

Godinho também coloca que na verdade a terapia não funciona exatamente como regressão, mas sim como afloração de conteúdos passados que precisam ser resolvidos. Sejam eles problemas ou potenciais. O inconsciente, portanto,  não é um lugar, mas sim um conjunto de personagens ocultas que ficam interagindo com a atual.

É importante ressaltar que, segundo a visão do autor, as vidas passadas continuam existindo de forma autônoma no bloco psíquico. Ou seja, quando encarnamos, elas continuam mandando energias deletérias que precisam ser escoadas e retrabalhadas, com o objetivo da evolução da criatura.

Vejamos agora o que diz a nova geração da mesma família.

 

[1] Vide http://www.dcc.unicamp.br/~carlosma/tvp.html

[2] Informações baseadas na palestra proferida pela Dra. Maria Julia Prietro Peres em 2002, no III Congresso da SBTVP – “A reencarnação e o despertar da consciência”, Campinas, 2002.

[3] Vide http://www.trvperes.com.br

 

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