Monografia parte 4 – O método de Marcio Godinho

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Márcio Godinho, natural de Lagoa Vermelha, é autodidata, reiki master e pesquisador do psiquismo. Tem alguns diferenciais na sua abordagem da TVP, diferenciais que na verdade complementam e integram todas as Escolas apresentadas acima, além da junção com outros métodos alternativos.

Seguindo à risca o ideal de formar um Terapeuta Holístico, tem a preocupação em apresentar toda uma formação de base, e adicionar mais técnicas além da escolhida pelo cursando. No programa do qual fiz parte, além de aprender sobre TVP conheci um pouco sobre o Eneagrama e os Tipos de Personalidade, os Florais de Bach e a Apometria.

 No tocante à TVP, Márcio trabalha com a indução direta, ao invés de usar longos relaxamentos. Com a indução direta o tempo para entrar em regressão varia, mas é reduzido em pelo menos 50% – o que é bem prático.

Aliás, praticidade é o forte do autor: a terapia vai sempre direto ao assunto, sem mais delongas, com a finalidade de trabalhar o trabalhável da forma mais rápida e eficiente possível. É extremamente contra gerar a dependência do paciente perante o terapeuta, e prega a autocura.

Explicando melhor: a idéia é retomar a origem dos problemas e sintomas atuais, ver quem está envolvido neles – níveis conscienciais da própria pessoa, de encarnados ou de desencarnados – e retrabalhar a energia que é liberada. A mesma energia que era usada anteriormente para produzir o sintoma vai agora ser transmutada para a cura, na medida em que esta for possível – num procedimento de reeducação holo-prática[1].

A metodologia usada: primeiro pergunta-se qual é a queixa principal, depois é feita a anamnese, onde palavras-chave são usadas para ver a reação do paciente, como angústia, medo, desconfiança, entre outras. Por fim, é feita uma ficha de indução, onde se escolhe um tópico a ser trabalhado e verifica-se qual é o quadro mental, emocional, físico e espiritual que esse tema produz.

A importância da pessoa estar consciente o tempo todo reside no fato do seu papel ser muito importante durante a terapia, pois ela terá que retrabalhar toda a energia que foi liberada e transmutá-la. Estando consciente, terá uma interação mais intensa, um domínio maior dos conteúdos que emergem. É comum inclusive que aconteça uma série de reações adversas, como enjôos, vômitos, tonturas, dor no local tratado caso seja um sintoma físico, amargura e instabilidade emocional. Tudo isso faz parte de um processo natural de escoamento de energias físicas.

O objetivo é fazer a pessoa se conscientizar e corrigir comportamentos equivocados, buscando não reincidir no mesmo padrão – nem cair no contrapadrão, que é tão doentio quanto. Esse processo pode ser extremamente doloroso, porque o mundo do indivíduo conforme ele o construiu estará ruindo, e ele precisará de bases mais sedimentadas para que consiga enxergar os acontecimentos ao seu redor com menos distorções. Mas o papel do terapeuta é justamente auxiliar nos dois processos: na transformação e correção dos atos e na reconstrução de um novo universo relacional, onde a pessoa estará apta a conviver — com a sociedade, consigo mesma e com as pessoas que lhe são caras — de forma consciente, redirecionada e equilibrada.

Para a formação do terapeuta, Márcio adota a idéia de que não é necessário ser psicólogo ou médico, e a realização do curso não é restrita apenas a esses profissionais. É muito importante porém algum conhecimento sobre o lado espiritual – e os dispositivos que gerenciam o evento da reencarnação – ou sobre as terapias alternativas e a psicologia em geral.

Ademais, o verdadeiro sucesso profissional será fruto do talento pessoal, do estudo disciplinado e das qualidades necessárias a um bom terapeuta: observação acirrada, encadeamento lógico aguçado, sensibilidade, ética pessoal, rapidez na interpretação de significados e erudição – elementos que faculdade nenhuma pode ensinar se não forem características naturais ou objetivos perseguidos pela pessoa continuamente no decorrer da vida.

O autor também discorda dos seguintes itens:

– Encadeamento causa/efeito feito a priori, como dizer que alguém que morreu enforcado terá dor de garganta. Esse reducionismo prejudica o decorrer da investigação, pois as possibilidades da causa da referida dor de garganta são inúmeras, considerando que cada pessoa reage de um modo específico a um determinado estímulo. Cada caso é um caso, e também adquirimos traumas nesta vida. Deve-se estudar a pessoa como um indivíduo, destituído dos modelos que o enquadrariam em algum perfil comportamental.

– Conclusões baseadas apenas na anamnese: ela dá o princípio do trabalho, mas as idéias extraídas a partir dali podem mudar e se tornarem inclusive opostas. Concluir algo precipitadamente limita o tratamento. Nesse sentido também é fundamental evitar questionamentos conclusivos.

– Márcio parte do pressuposto de que deve haver um reconhecimento entre a pessoa atual e os personagens passados, porque esse é o ponto chave para libertar ambos daquela freqüência. Embora esse ponto seja muito controverso no meio acadêmico, na verdade se apenas a pessoa for tratada, estará sendo desperdiçada uma chance talvez única de tratar todos os outros envolvidos.

     Dessa forma, mesmo sendo tratado como indivíduo, trata-se de um indivíduo inserido em um meio. E com o reconhecimento, é possível tratar centenas ou milhares de pessoas partindo apenas do paciente em questão.

Além disso, a importância desse ponto é que normalmente quem procura a terapia não é quem precisa; na verdade a pessoa que procura está precisando de ajuda para lidar com os outros (familiares, amigos, chefes, subalternos) aos quais está ligada. Ao tratar essa pessoa, a atitude dos outros à sua volta também irá mudar se eles forem tratados – mesmo não conscientes disso. E para tratá-los é necessário saber quem eles são.

– Não existem restrições sobre tipos de pessoas a serem trabalhadas, a não ser crianças com menos de 14 anos (são tratadas apenas em casos mais graves, e com acompanhamento dos pais) e deficientes auditivos.

– Sobre a questão da curiosidade: pacientes que chegam com essa motivação são aceitos, porque no fundo a queixa não é só a curiosidade, e isso é facilmente constatado na anamnese. Problemas, enquanto encarnados, todos temos, dado que esse é um planeta de provas e expiações, e a maioria das pessoas sequer tem consciência da verdadeira dimensão dos próprios problemas, pois muitos deles se apresentam como automatismos.

Existe muito mais a ser falado sobre o embasamento teórico de Márcio Godinho. A base bibliográfica trata de fundamentalmente dois autores: Roberto Assagioli e a Psicossíntese; juntamente com a Psicologia Integral de Ken Wilber.

Especialmente o italiano Roberto Assagioli coloca de forma clara a teoria sobre centro vital: onde está focalizada a energia da pessoa. E também ensina os estágios da terapia:

1) Formular o programa interior. Implica em ter uma visão clara das tarefas que são necessárias: quem sou eu / recompor o eu em escombros / não cair no contrapadrão / continuar em equilíbrio.

Se a pessoa for limitada isso vai levar um certo tempo (no sentido de ser resistente a abrir mão da própria vida para construir outra nova).

A pessoa pode estar com a auto-estima baixa, estar se esforçando ao máximo no seu limite, ter dificuldade de confiar nos outros. O terapeuta precisa ajudá-la a enxergar seus potenciais, dentro da própria realidade individual.

2) Deixar-se guiar pelo espírito interior. Quando a pessoa começa o processo terapêutico, algumas descobertas vão sendo feitas. Se ela não tomar as medidas apropriadas para a mudança, se continuar estagnada, fatos irão acontecer em sua vida para impulsioná-la. Essa fase tem como objetivo o contato com a sabedoria interna, com informações que sempre estiveram lá mas nunca foram percebidas.

3) Processo de desidentificação. O objetivo é alcançar a auto-identificação e autoconsciência pura através de técnicas, incluindo a TVP. A desidentificação significa compreender, separar e educar os automatismos. Estes, enquanto não forem trazidos para a consciência, vão se repetindo sucessivamente através de um ciclo que os desencadeia.

Márcio também trabalha com o conceito de subpersonalidade, que são como subníveis que assaltam a consciência. São especialmente de 4 tipos:

1)     Personalidades de inversão: sexo oposto.

2)     Personalidades de domínio: manipuladoras e ambiciosas.

3)     Personalidades de ambivalência: alternância entre papéis opostos.

4)     Personalidades de influenciação: querem atingir fins por outras pessoas.

 Existem também quatro faces da manifestação psíquica. São os aspectos:

a) Espiritual e anímico: onde está o núcleo vital. Anímico significa alma; espiritual, todo. Animismo é a intuição, telepatia, clarividência. É diferente de mediunismo, onde há a influência de espírito(s). Nosso espírito tem uma vida muito ampla, e a nossa alma não consegue mandar tudo para a nossa memória tão limitada (por isso temos problemas para lembrar dos sonhos).

b) Intelectual/mental: casos comuns por desajuste desse aspecto são amnésia, hipermnésia, ausência de consciência, pensamentos obcecados, transtornos psíquicos.

c) Emocional: vivificação dos nossos “eus”. Nos dá o parâmetro para saber se é bom ou ruim. Existem alguns casos interessantes: a distorção de sensação, que é a pessoa que está mal e vive sorrindo; a pessoa que mente e acredita na própria mentira; as pessoas que têm medo de ter um relacionamento por medo dele não dar certo.

d) Físico/comportamental: o corpo é quem sofre todas as descargas de energia do psiquismo. Ele é o ator, se comporta conforme o que pensamos. As partes mais vulneráveis são as lesões perispíriticas das outras existências. E nem sempre um corpo sadio reflete uma alma sã.

Enfim, a intenção da TVP é fazer com que a pessoa perceba os pontos que devem ser trabalhados e use essa consciência para transmutar o entulho psíquico que vem sendo carregado há séculos para uma nova vivência de  felicidade, paz e harmonia. É um trabalho árduo, doloroso, mas eficaz.

É importante ressaltar que a intenção da terapia nessa abordagem é tumultuar, sinalizar, e não mudar a vida da pessoa. A idéia é olhar para o problema e trabalhar gradativamente, e não em um passe de mágica.

Estando agora toda a teoria de TVP apresentada, podemos passar à segunda parte, minha bagagem de historiadora. Vejamos agora a interdisciplinaridade.

[1] Ou seja, contextualizar o processo de autoconhecimento tornando-se o próprio co-redentor, administrando o conteúdo que antes estava convertido em sintoma, ressignificando de forma terapêutica.

 

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