Resgate da alma – Sandra Ingerman

resgate da alma 

Estou abrindo essa categoria no blog em grande estilo: fazia tempo que um livro não me chamava tanto a atenção e não era devorado tão rápido!

Em pesquisa posterior vim a descobrir que a Sandra Ingerman trabalha como xamã e já formou pessoas ao redor do mundo todo, mas infelizmente ninguém no Brasil. Quem sabe um dia me animo eu vou lá…

Pois bem: o livro descreve o trabalho dela como xamã fazendo o resgate da alma (soul retrieval). É uma técnica que permite ao xamã entrar na realidade incomum e resgatar partes perdidas de nossa alma.

Ela define a realidade incomum (o que conheceríamos aqui no Brasil por Plano Espiritual) como sendo dividida em 3 partes:

1) Mundo Superior: etéreo, morada dos animais de poder e dos mestres.

2) Mundo Inferior: dentro da terra, povoado com espíritos de plantas, animais, e espíritos humanos conectados com os mistérios da terra.

3) Mundo Intermediário: mundo paralelo que armazena o próprio passado pessoal de cada um, mas como se continuasse acontecendo em outra dimensão.

Essa é a classificação xamânica do astral. Para nós brasileiros espíritas pode soar como: colônias, umbral e psiquismo humano. Mas o que ela descreve é bem mais profundo e complexo que isso, e por isso me atraiu tanto, porque é muito similar ao que vivencio como médium na Apometria.

Segundo Sandra, através do toque do tambor e do chocalho o xamã entra em estado alterado de consciência e vai em desdobramento até um desses mundos resgatar a alma do cliente. Ela só descreveu no livro experiências com a vida atual, não sei se ela também trabalha com vidas passadas.

Ela faz a jornada com o auxílio do animal de poder (segundo o xamanismo, além dos mestres todos nós possuímos animais de poder), e na volta sopra de volta o pedaço de alma que foi buscar.

Vou colocar um exemplo de resgate, que ela conta no livro na página 92 a 94. Aí comentarei as impressões que tive como terapeuta, e fica o convite para a leitura, pois o livro é fantástico!

“Edward é carpinteiro, parecia agitado e incomodado ao entrar na sala. Um de seus problemas mais importantes é o fato de nunca se sentir à vontade em qualquer lugar onde more. Ele se mudou diversas vezes, tentando encontrar um lugar onde se sinta em casa, mas sempre se sente agitado, pensando para onde mudar em seguida.

Eu começo a jornada em busca dele, com a oração de sempre e tocando o chocalho. Eu me concentro na intenção de ir aonde quer que seja necessário para recuperar a parte da alma que será mais adequada à vida de Edward. Enquanto sigo o som das batidas do tambor, eu me vejo do lado de fora de uma casa perto da praia. O sol está brilhando, o ar úmido tem cheiro de sal.

A casa me lembra um quadro de Norman Rockwell. Cortinas leves estão abertas, revelando uma sala de estar impecável. Olhando através delas, eu vejo um tapete cor creme e diversos móveis confortáveis. Fotos de família estão alinhadas na parede.

Voltando minha atenção para a vizinhança, vejo casas térreas de estilo californiano. Todo o quarteirão está muito silencioso, mas eu imagino crianças andando de bicicleta depois da escola, e os pais lavando seus carros no fim de semana. Repito quatro vezes minha intenção de encontrar as partes perdidas da alma de Edward.

Minha intenção me leva ao interior da casa. Eu passo por um corredor fresco e estreito e chego a uma alegre cozinha amarela. Quando me dirijo para a porta dos fundos, vejo Edward no quintal montando sua barraca. Ele parece um menino de nove anos extremamente satisfeito. Aproximo-me dele e explico que fui enviada para levá-lo para casa. Ele responde sem hesitar:

– Mas eu estou em casa.

Eu lhe explico que o tempo passou e que ele não tem mais nove anos. Que é um adulto de quarenta e três anos. O pequeno Edward me escuta de má vontade, sem a menor vontade de sair dali.

– Mas eu adoro este lugar – diz ele choroso. Por favor, não me faça ir embora.

Eu pergunto a Edward onde estão seus pais e ele diz desafiadoramente que eles se mudaram.

– Mas eles não podem me fazer mudar daqui.

O dilema atual de Edward começou a ficar claro. Seus pais saíram daquela casa de que ele tanto gostava quando tinha nove anos e uma parte dele ficou para trás. Ele nunca foi capaz de se sentir em casa em qualquer outro lugar, porque uma parte dele nunca saiu dali. O pequeno Edward estava em um lugar que ele realmente adorava.

No entanto, eu lhe explico pacientemente que seu verdadeiro lugar é com o Edward adulto, e que até que eles se reúnam nenhum dos dois pode ser realmente feliz. O pequeno Edward afasta os olhos enquanto pensa nas minhas palavras. Por fim pergunta:

– Edward realmente me quer de volta?

Eu lhe garanto que sim. Ele me pergunta como deve fazer para voltar e coloca timidamente sua mão na minha. Nós acenamos juntos para sua casa enquanto voltamos para a realidade comum.

Depois de dar as boas-vindas à alma, eu descrevo minha jornada ao meu cliente. Emocionado com as imagens, ele me diz que seu pai havia sido transferido de Los Angeles para o Leste quando ele tinha nove anos. Edward odiou ter que deixar o único lar que ele conhecera. Ele nunca pôde entender sua irracional atração por Los Angeles, porque não tinha intenção de morar lá. Mas tinha certeza de que uma parte da sua alma de criança havia ficado na casa que ele amava.”

Quando trabalho com subpersonalidades da vida atual em TVP processos similares costumam acontecer, mas guiados pela própria pessoa. Já assisti muitos pacientes recuperarem parte de suas infâncias que nem lembravam ou nem imaginavam que existisse, e tudo confirmado pelos pais depois.

O xamanismo feito por ela é especial pela riqueza em detalhes que ela consegue trazer das viagens. Meu treino em Apometria me permite fazer o mesmo, mas em relação às vidas passadas. Membros da minha equipe tinham essa facilidade maior com a vida atual. Tudo depende do tipo de sensibilidade e do direcionamento do treino.

Sem dúvida o xamanismo é uma tradição milenar fantástica, que quando bem empregada pode gerar todo tipo de harmonização. Tem meu total respeito e admiração.

Posso dizer como testemunha que fiz todos os exercícios que ela recomenda no livro, e que me sinto melhor depois deles. Partes da minha alma voltaram com certeza, não sei dizer exatamente quais. Mas é um trabalho que vale ser lido, estudado e divulgado.

Eu teria muito mais a comentar, mas leiam e me contem o que acharam!

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