Minha monografia de conclusão de curso em 2004

camissozinha

Segue abaixo para vocês minha monografia de formação em TVP, que fiz em Erechim, em 2003-2004. A foto foi no dia da festa!

Abraço a todos e comentem!

Anúncios

Monografia parte 1 – Introdução

apome1

Sempre fui uma leitora ávida, de qualquer tipo de literatura. E na minha concepção, uma boa introdução tem dois objetivos: apresentar o trabalho e falar um pouco sobre a trajetória intelectual e pessoal do autor.

Sobre este trabalho: ele tem o objetivo de condensar todo o aprendizado pelo qual passei no período de abril de 2003 a janeiro de 2004, na cidade de Erechim – RS, sob a orientação de Márcio Godinho, para me tornar uma Terapeuta de Vidas Passadas. Além disso, visa também contextualizar esse aprendizado: apresentar o histórico da TVP no Brasil, e o seu nascimento dentro da Psicologia, com os autores mais importantes – na minha visão pessoal. A partir desse ponto de partida, tenho a intenção de apresentar qual foi minha contribuição pessoal ao método de Márcio Godinho, e como pretendo empreender meu trabalho vindouro.

O objetivo da interdisciplinaridade já mostra um pouco da minha história. Literalmente, sou historiadora de formação – e futura psicóloga. Sempre tive o objetivo de fazer o casamento entre as duas áreas, História e Psicologia, uma interdisciplinaridade ainda pouco estudada. Principalmente quando se adiciona a TVP, que por si só ainda é matéria para muitos estudos com abordagens as mais diversas, que vão paulatinamente surgindo no meio acadêmico e científico – e fora dele também, sem por isso serem trabalhos de menor importância.

Sobre a autora: sou paulistana, tenho 24 anos, e pretendo dedicar minha vida a esse ideal. Para mim a reencarnação sempre foi um tema corriqueiro, dado que fui criada em um lar espírita. Depois de adulta descobri técnicas mais complexas dentro da doutrina, como a Apometria, tão injustamente combatida, e que carrega em si tamanho potencial de cura e ajuda a todos nós. Além disso, (re) descobri o mestre Ramatís, e com ele pude entender que o Espiritismo é um dos caminhos, mas que todos eles levam ao mesmo Deus.

Conclui também que as eternas discussões das facções religiosas são inúteis, além de uma belíssima perda de tempo. Participo do grupo Bandeirantes da Luz[1], e abracei o ideal do universalismo.

Estudo TVP sistematicamente há três anos, mas todo meu estudo foi reformulado pela abordagem holística dada por Márcio Godinho, e pela arqueologia psíquica de Roger Feraudy, Roger Bottini Paranhos, L. Palhano Jr. e da psicóloga Helen Wambach, trabalhos esses que pretendo unir e continuar – espero que com muitos colegas vindouros, pois ele é por demais amplo.

A Metodologia Holística, aliada ao conhecimento sobre TVP e Apometria, abre muitas portas e possibilidades ao estudo do psiquismo. Faz com que toda a nossa lógica perante a vida se inverta.

Com ela aprendi que a doença muitas vezes, por mais estranho que pareça, é o que de melhor pode acontecer para uma pessoa em dado momento. Muito mais do que expiação de erros pretéritos, é uma oportunidade única de olhar para si próprio, de detectar quais são os pontos a serem trabalhados na encarnação, de procurar ajuda e de descobrir mais sobre os caminhos a tomar.

O momento em que vivemos é de transição, é especial. É um ajuste de contas final. E sem dúvida a TVP e a Apometria apareceram nesse cenário como duas formas de conscientizar o homem mais rapidamente. Cronos é impiedoso: o tempo urge mais do que nunca. O homem precisa aprender sobre si mesmo e sobre autocura, e ser responsável pela própria mudança.

Como Terapeuta de Vidas Passadas, pretendo levar essa lição para as pessoas. E sei que cada vez que o conseguir, ou que pelo menos tentar, estarei levando essa lição para mim mesma, pois sei que ainda tenho muito a aprender. Mas quero estar sempre ativa no meu processo de aprendizagem, e ajudar no das pessoas que puder, pois fazemos parte de um todo, e um indivíduo só será plenamente feliz quando todos os outros também o forem. Esse dia ainda está longe, mas eu pretendo colaborar para que ele chegue o mais breve possível!

 

Monografia parte 2 – Perspectiva da Psicologia perante a TVP

flor_de_lotus_branca

Oficialmente a Psicologia passou a ser abordada como ciência a partir de Wilhelm Wundt, em 1879, no Laboratório de Leipzig. A partir daí, resumidamente, tivemos duas revoluções principais: o Behaviorismo, nos Estados Unidos, que via o homem como fruto de condicionamentos, reforços e punições.

Freud trouxe a segunda revolução, com a Psicanálise, e a noção do determinismo psíquico: somos 10% consciente e 90% inconsciente, nossa vida de vigília é apenas a ponta do iceberg. Mas qual seria o conteúdo desse inconsciente?

A TVP foi fruto das primeiras investigações sobre o conteúdo do inconsciente, que começou a suscitar trabalhos mais contundentes a partir de Freud – apesar de outros teóricos já terem feito estudos correlatos[1].

Nos Estados Unidos a procura por esses estudos começou a ser mais intensiva depois do caso Bridey Murphy, que foi pesquisado por Morey Bernstein através da hipnose em 1956. O livro foi um best seller, o que demonstrou o interesse pelo assunto. No referido caso, uma moça chamada Virginia Tighe, dona de casa americana, durante seis sessões revelou sua vida de irlandesa em 1798. Muitos fatos foram investigados e comprovados.

Outra autora que trouxe o tema da reencarnação para a grande mídia foi Shirley Maclaine. Em Minhas Vidas, a autora mostra o quanto pesquisou o tema, e traz citações de diversos pensadores que estudaram a reencarnação (Einstein, Jung, Ralph Waldo Emerson, Thoreau, Kant, Schopenhauer, Goethe e Thomas Edison).

Já em O Caminho, ela fala de suas regressões espontâneas, incluindo o encontro com o Imperador Carlos Magno e a vivência no extinto continente da Lemúria.

No meio acadêmico, pesquisadores estavam trabalhando nos anos 60 e 70 simultaneamente em alguns pontos do mundo, como Edith Fiore, Thorwald Dethlefsen e Morris Netherton. Por ter sido estudado por brasileiros, o Dr. Netherton se tornou o pai da TVP no Brasil.

O autor desenvolveu o método da indução de forma inovadora, o que possibilita que a pessoa entre em regressão sem hipnose, de forma consciente. Eis a descrição do trabalho, realizado em 1979:

“O analista freudiano procura fazer o paciente regredir aos primeiros anos de sua vida, buscando localizar a fonte de seus problemas atuais. A terapia de vida passada dá, simplesmente, o passo seguinte. Acreditamos que os acontecimentos de vidas precedentes podem produzir efeitos tão devastadores no comportamento atual de um paciente quanto qualquer coisa que lhe tenha acontecido nessa existência.

O inconsciente funciona como um gravador. Registra e armazena indiscriminadamente todo e qualquer acontecimento que ocorra.

Há quatro elementos decisivos presentes em uma sessão de terapia de vida passada: são a espinha dorsal do método. O primeiro é a solicitação de dados ao inconsciente enquanto o consciente permanece presente. O fato do inconsciente comunicar-se voluntariamente, e não por indução hipnótica, permite ao cliente ver claramente onde se encontra na medida em que revive suas experiências. Segundo, a reconstituição cuidadosa de sofrimentos e traumas  emocionais é fundamental.

Eventualmente, à proporção em que revive o trauma, o paciente vai utilizando a frase que desencadeou a origem da lembrança do incidente, a frase com a qual iniciamos a sessão. Pode encontrar diversas variantes dessa frase. Toda vez que a profere, faço com que a repita várias vezes até que se desligue do trauma a ela associado. Esse processo de repetição e desligamento é o terceiro passo.

Ao final da sessão investigamos o período pré-natal, a experiência do nascimento e da infância, buscando acontecimentos e frases que desencadearam as experiências relativas à respectiva vida pregressa. Esse é o quarto e último elemento.”

Vida passada – uma abordagem psicoterápica, pp. 34-35; 46-47

 

Tal abordagem teórica possibilitou a pesquisa da TVP com o uso da metodologia científica, sem recorrer a fenômenos mediúnicos. O Dr. Netherton abordava a regressão como um fato, independente da pessoa acreditar ou não em reencarnação. E a comprovação disso foi o alto índice de cura que o método atingiu.

Nos anos 80 o físico francês Patrick Drouot começou a publicar as suas pesquisas sobre TVP. O estudo do autor, baseado no pensamento oriental,  envolve toda a parte energética da questão, incluindo a implicação de uma regressão no funcionamento dos chakras[2].

Na sua primeira obra, em 1988, Dr. Drouot enfatiza;

“A viagem através das vidas passadas permite alargar o conceito da tomada da consciência através da noção de continuidade do destino. Permite também pôr em evidência as más utilizações que fazemos do poder, do egoísmo, da perda do amor. E essa tragédia se repete sem cessar, enquanto emitimos falsos julgamentos em relação a nós mesmos, enquanto estamos limitados por falsas crenças. Somos como crianças separadas da última fonte e não podemos sem ajuda encontrar sozinhos o caminho para ela.”

Somos todos imortais, pg. 80

 

O autor trabalha com relaxamento e indução consciente, com o auxílio de músicas desenvolvidas especialmente para o trabalho. Baseado na Psicossíntese, que será vista mais adiante, esclarece que a TVP é importante no processo de reunificação de nosso ser.

Como o Dr. Netherton, enfatiza a importância do trabalho com a fase uterina, exemplificando com um relato de caso:

“Sua mãe já tinha uma certa idade quando começou sua gravidez e ficou doente durante toda a maternidade. Na hora do parto, quase morreu, e o bebê nasceu quando a mãe já estava inconsciente. A criança nasceu ao mesmo tempo com o medo inconsciente de matar a mãe e o sentimento de que jamais poderia contar com ela. Em sua vida de adulto, esse paciente desenvolveu uma relação extremamente difícil com os que o circundavam por causa desses sentimentos inconscientes. Essa recusa em ter confiança na mãe era uma decisão de sobrevivência. E era exatamente assim que ele vivia sua vida e se comportava em relação aos outros, como se, no momento do seu nascimento, tivesse decidido que jamais poderia ter confiança em ninguém. Tudo isso, obviamente, se situava no nível inconsciente.”

Somos todos imortais, pp. 88-89

 

O Dr. Drouot assimilou ao seu trabalho a idéia yogue de que a sabedoria apaga o carma, pois inúmeros exemplos mostraram que a tomada de consciência era capaz de extinguir sintomas, como a tosse persistente de uma ex-judia na câmara de gás, ou o medo de exercer a cura pela imposição de mãos de um ex-torturado pela Inquisição.

Já nos anos 90, um médico psiquiatra contribui para ambas as causas: o estudo científico da TVP e a divulgação em grande escala do tema. O Dr. Brian Weiss alcançou notoriedade a partir de dois estudos que se tornaram referência no assunto: Muitas Vidas, muitos mestres e A cura através da Terapia de Vidas Passadas.

Catherine, que parecia um caso simples, trouxe ao Dr. Weiss o conhecimento sobre a vida após a morte, sobre o contato com espíritos mestres, a possibilidade de estabelecer a regressão com o uso da hipnose e o alto potencial de cura que esse tratamento carrega em si. Hoje em dia Brian Weiss já vendeu quatro milhões de exemplares de seus livros, meio milhão só no Brasil.

No livro A cura através da Terapia de Vidas Passadas, recheado de exemplos, o autor descreve minuciosamente sua abordagem, as curas que presenciou, e a metodologia que utiliza. Fala da rapidez do tratamento, fato que assombra muitos psicólogos e psiquiatras ortodoxos – o que faz com que alguns busquem estudar o fenômeno, e muitos o critiquem para se defenderem.

O autor demonstra que as mesmas pessoas que passaram anos e mais anos no consultório poderiam ser curadas em questão de meses. E mesmo que a cura não acontecesse, tinham mais qualidade de vida, pois adquiriam conhecimento espiritual sobre a vida após a morte – o que trazia calma, conhecimento, esperança e sabedoria nas ações cotidianas.

Com seu método, Dr. Weiss ajudou a desmistificar a  hipnose, e a mostrar que na verdade ela está bem próxima ao método de indução direta, que veremos adiante. Segundo o autor:

“Quando você está relaxado e sua concentração é tão intensa que não se deixa distrair por ruídos externos e outros estímulos, você está em um estado superficial de hipnose. Toda hipnose é na verdade autohipnose, pois o paciente controla o processo. O terapeuta é meramente um guia. Quase todos nós entramos freqüentemente em estado hipnótico – quando estamos concentrados num bom livro ou filme, sempre que ligamos o piloto automático. Alguns hipnotizados vêem o passado como se assistissem a um filme. Outros ficam mais intensamente envolvidos, com maiores reações emocionais. Outros ainda sentem mais do que vêem as coisas. Às vezes a reação predominante é auditiva ou até mesmo olfativa. Mais tarde, a pessoa recorda tudo que foi vivenciado durante a sessão de hipnose.”

A cura através da Terapia de Vidas Passadas, pp. 22-23

Continuando entre os americanos, Denise Linn contribuiu trazendo a abordagem holística. A autora usa muito da tradição nativa norte americana, da qual ela é descendente, juntamente com a vivência que teve em vários anos dentro de um templo zen-budista.

Segundo essa abordagem, diversos tipos de problemas físicos, emocionais, financeiros e de relacionamento interpessoal são causados por crenças que a pessoa adota, principalmente no momento da morte. Essas crenças se apresentam atualmente como subconscientes, e determinam nossas vidas. A autora aponta:

“A terapia de vidas passadas funciona porque nos faz chegar à origem dos nossos problemas, pois até esse momento você terá tratado muito mais com sintomas do que com causas. Criamos e recriamos para nós mesmos, nos dias de hoje, incidentes que lembram subconscientemente o incidente original, como forma de curar a dor original. São os traumas e emoções reprimidos no passado que criam problemas no presente”.

Vidas passadas, Sonhos presentes, pp. 89-90.

 

Uma primeira forma sugerida pela autora para entrar em contato com as lembranças é fazer um pequeno diário de gostos e fatos da história pessoal, que seriam pistas dadas pelo inconsciente. Sobre o método, a autora ensina algumas técnicas de como trabalhar a energia que é liberada em uma regressão. São elas:

a)     Seguir o sentimento: concentrar-se no que é sentido e ir buscando pistas a partir disso;

b)    Distanciar-se: para cenas muito fortes emocionalmente, ela sugere que a pessoa se veja acima da cena, ou avance e retroceda rapidamente, para diminuir o impacto;

c)     Mudar as circunstâncias do que aconteceu.

A principal contribuição de Denise Linn é mostrar que além da regressão outros caminhos podem ser usados, incluindo a observação dos sonhos, visualizações, meditações, ajuda de guias e totens animais, enfim: o terapeuta deve fazer o tratamento de forma holística dentro do seu âmbito de conhecimento, e buscar novas técnicas e especialidades tanto quanto possível.

Entre os especialistas brasileiros, inicialmente gostaria de falar sobre o trabalho da psicóloga Elaine de Lucca, que trabalha com Terapia de Vidas Passadas há 16 anos em São Paulo. Ela foi uma das primeiras a trazer o método para o Brasil, e mostra o desenvolvimento do trabalho de Morris Netherton.

Considera importante ressaltar que a técnica não faz milagres, e que simplesmente ver a vida passada também não é sinônimo de cura.

É preciso fazer associações com a vida presente, trabalhar cuidadosamente cada emoção, ou seja, é preciso preparo para trabalhar as informações – e aí reside a importância do trabalho ser feito por um bom profissional.

A autora enfatiza que raros são os casos onde a pessoa fica bloqueada, incapaz de efetuar a regressão. Normalmente a consciência do propósito e a intenção de buscar a cura são suficientes. Deixa claro que não é relevante o paciente acreditar ou não em reencarnação, apenas o terapeuta deve estar firme nas suas convicções. Sobre o perigo de “não voltar” do passado, enfatiza:

“Apesar de todo o realismo, não há o menor perigo da pessoa ficar “presa” ou traumatizada, porque, de acordo com o método que pratico, demonstro as relações entre os fatos vistos na regressão e a vida atual, e conscientizo o paciente de que o conteúdo da regressão é passado – à medida que ele se libertar desse passado, compreendendo seus erros e acertos, conseguirá também se libertar dos problemas atuais, que são intrínsecos aos problemas passados”.

 A Evolução da Terapia de Vidas Passadas, pg. 19

 

Elaine contribuiu principalmente na solidificação do método de Netherton no Brasil, e no trabalho com a parte espiritual, trabalho esse que tem como colega a Dra. Maria Teodora Ribeiro Guimarães.

Os demais autores brasileiros serão apresentados vinculados às suas instituições, no próximo capítulo.

[1] Ken Wilber introduz a necessidade de buscar uma nova história da psicologia. “A noção de inconsciente foi popularizada pelo livro Philosophy of the Unconscious, de von Hartmann, publicado em 1869 – trinta anos antes de Freud – e atingiu uma tiragem sem precedentes.”. In Wilber, Ken – Psicologia Integral, pg. 9.

[2] A regressão, segundo o autor, abre os chakras laríngeo, cardíaco, e o plexo.(Nós somos todos imortais, pg.83)

 

Monografia parte 3 – A TVP no Brasil – breve histórico

netherton

Morris Netherton escreveu apenas uma obra: Vida Passada, uma abordagem psicoterápica, em 1979. Fundou a Association for Past-Life Research and Therapy, na qual o casal Ney e Maria Julia Prieto Peres foi estudar. A técnica, dessa forma, foi importada para o Brasil, e o casal participou da fundação da ABTVP em 1987 (Associação Brasileira de Terapia de Vidas Passadas).

A ABTVP mais tarde passou a se chamar ABEP-TVP (Associação Brasileira de Estudo e Pesquisa em Vivências Passadas). Trata a TVP como um conhecimento em formação, e como uma técnica psicoterápica complementar. Fez parte da sua constituição original Livio Túlio Pincherle; Michel Chebli Maluf; Dirce Barsottini; Elaine G. de Lucca; Hans Wolfgang TenDam; Maria Elisa dos Santos; Ruth Brasil Mesquita; Judith M. Sá e Benevides; Herminia Prado Godoy; Maria Teodora Ribeiro Guimarães; Maria Julia Prieto Peres; Ney Prieto Peres, dentre outros[1].

Mais tarde surgiram o INTVP (Instituto Nacional de Pesquisa em Terapia Regressiva Vivencial) em 1989, e a SBTVP (Sociedade Brasileira de Terapia de Vidas Passadas) em 1994.

Segundo o INTVP, chefiado por Maria Julia Prieto Peres e seu filho, Dr. Julio Peres, temos a Terapia Reestruturativa Vivencial Peres, onde as lembranças do paciente são uma reconstrução do fato, e não uma cópia[2]. O paciente, a partir da vivência da regressão, entra em um processo de autoresolução de conflitos, ressignificando esse passado na sua vida atual. O INTP trabalha apenas com o lado terapêutico, sem levar em conta o lado espiritual ou religioso.

A terapia é indicada em casos de transtornos psíquicos, neuróticos, orgânicos e problemas de relacionamento interpessoal. É desaconselhada no caso de gestantes e curiosidade. Também desaconselha a autoregressão e a regressão em grupos[3].

Já em Campinas, a fundadora da SBTVP é a Dra. Maria Teodora Ribeiro Guimarães. O trabalho da autora é significativo na produção brasileira sobre o tema. A Dra. Teodora já possui três livros publicados sobre o assunto, e tem algumas posturas teóricas que devem ser ressaltadas:

“A Terapia de Vida Passada é um tratamento psicológico que se processa com regressões de memória. Sessões de regressão no tempo, partindo da informação, da decodificação que o terapeuta dá ao chamado inconsciente do indivíduo, sobre o problema a ser resolvido, com a proposta de se chegar ao passado, em vivências passadas, em outras vidas, onde supostamente está a origem desse problema.

Costumamos dizer que um dos objetivos básicos da Terapia de Vida Passada é tratar, numa palavra simples, os traumas do passado que repercutem ainda hoje em nossas vidas. Percebemos que a maioria desses traumas ou, pelo menos, grande parte deles é incorporada como tais em nossa linha de vida, em nossa essência, em nosso eu superior, em nosso espírito ou como quer que se queira denominar nossa individualidade, em momentos de morte mal resolvidos onde, sob o impacto de forte emoção, costumamos tomar decisões erradas a respeito dos acontecimentos que nos rodeiam.

E o carma? Bem, o carma nos parece ser resultado do inverso; isto é, das decisões, digamos corretas, tomadas no período intervidas.

Parece que ou repetimos os mesmos padrões de comportamento passados, de uma forma mais ou menos atenuada, ou fazemos e sentimos algo diametralmente oposto daquilo que já nos aconteceu, numa tentativa desesperada de fugir da tragédia final do nosso personagem.”

                                                              Viajantes, pp. 30, 54-55, 56, 70.

 

A contribuição da autora é abordar o lado espiritual da questão. Disserta sobre as “presenças” no setting terapêutico, sobre a influência que elas causam na vida atual da pessoa e sobre a interação entre presença e paciente nas vidas passadas. Enfatiza que nossa vida continua, mas a vida dos nossos inimigos também, e nada mais natural que eles continuem nos odiando e querendo fazer a justiça.

 Além disso, a autora trabalha o conceito de caráter e de padrão/contrapadrão. Ou seja: o caráter é fruto de tudo que foi construído pela própria pessoa em outras vidas. E existem padrões sendo repetidos, ou exatamente o oposto, de forma tão doentia quanto.

Não é encorajado o reconhecimento da presença. Deve-se apenas buscar a história, e não com quem ela ocorreu. A identificação só pode ocorrer se for espontânea. Outro diferencial foi registrar de forma cronológica as vivências de um só paciente, Leo, que possui imenso detalhamento nas recordações.

O grande objetivo, nessa abordagem da TVP, seria buscar a resignação, pois a grande maioria dos problemas, na visão da autora, advém de uma postura de cobrança perante a vida, querendo que ela seja conforme os nossos caprichos.

Mais tarde, a partir da SBTVP, surgiram duas outras instituições: ANTVP (Associação Nacional de Terapeutas de Vida Passada), com sede em Campinas e núcleos por todo o território nacional; e IBRAPE-TVP (Instituto Brasileiro de Pesquisa em Terapia de Vida Passada), com sede no Rio de Janeiro.

Segundo Marisa Machado Loti, diretora de formação, a ANTVP surgiu oficialmente em janeiro de 2000, com a intenção de formar novos terapeutas por todo o território nacional e de promover encontros e palestras informativas também para o público leigo.

O IBRAPE-TVP, que começou sua atividade em 1999, tem como objetivo realizar pesquisas teóricas e empíricas dentro da área e promover a divulgação da técnica. Algumas linhas de pesquisa estão sendo delineadas pelo grupo: TVP e as concepções da ciência contemporânea (mudanças paradigmáticas); TVP e psicopatologias (validade e eficácia terapêutica); Técnicas de indução ao transe regressivo; Fenomenologia e efeitos da TVP e correlações com outros contextos experienciais (EQM, experiências transpessoais etc); Técnicas de Transformação. Há também estudos sobre Psicologia Transpessoal.

Todas as instituições acima insistem na qualidade da formação, com cursos longos, de no mínimo um ano, e que exigem a formação em Psicologia ou Psiquiatria.

Um nome muito importante afora essa comunidade acadêmica é J.S. Godinho. Ele é terapeuta holístico, e o fundador de um novo paradigma dentro da TVP brasileira, correlacionando-a com a Apometria e seu respectivo corpus teórico.

J. S. Godinho começou a perceber como a TVP funcionava na prática. Após anos de experiências conheceu a parte teórica dos outros autores. Assim como Márcio Godinho, trabalha de forma autônoma e itinerante, ministrando cursos e workshops, e dirige um centro espírita em Lages.

Ele introduz alguns conceitos importantes:

a) O fato de que na verdade nossas vidas passadas são níveis conscienciais, que fazem parte do nosso bloco psíquico;

b) A sistematização dos nossos sete corpos: físico, duplo etérico, astral, mental inferior, mental superior, búdico e átmico. Cada um com sete níveis e sete subníveis;

c) A continuidade multidimensional dos níveis, ou seja, as vidas passadas não são exatamente passadas;

d) A necessidade de harmonização dos níveis. Como as vidas passadas continuam atuantes em outra dimensão e influenciam a presente, não adianta simplesmente a catarse. É necessário reeducar o(s) nível(is) em questão.

O autor enfatiza:

“Normalmente, trabalhamos buscando liberar os conteúdos perturbadores do passado incrustados no inconsciente, e também por possuirmos equipe de sensitivos treinados em técnica apométrica, tratamos o aspecto espiritual.

Evidentemente que por serem tratamentos diferentes, fazemos isso em momentos diferentes também. Mas paralelamente.

Além disso, em virtude da nossa longa experiência nesse tipo de problemática, orientamos o redirecionamento de posturas e objetivos diante do seu projeto de vida, e principalmente sobre o costumeiro descuido com relação à realidade espiritual.

Sugerimos a correção de hábitos negativos, que invariavelmente são inconscientes e movidos por automatismos, os vários “níveis” ou “eus”, mas que dão margem à sintonia com energias de baixa vibração.”

Psiquismo em Terapia, p. 74

 

Assim como Netherton, Godinho dá grande importância para a fase uterina. Mas enfatiza que um trauma pode eclodir em qualquer época da vida.

Um ponto importante abordado, não muito comentado por outros autores, é que a regressão pode acontecer de forma inconsciente, de forma muito mais freqüente do que se pensa. O paciente não tem contato com as imagens, nem relata nada, mas o processo ocorre e a melhora também. Algumas pessoas pensam que não conseguem relaxar ou que não aconteceu nada, e na verdade aconteceu.

Godinho também coloca que na verdade a terapia não funciona exatamente como regressão, mas sim como afloração de conteúdos passados que precisam ser resolvidos. Sejam eles problemas ou potenciais. O inconsciente, portanto,  não é um lugar, mas sim um conjunto de personagens ocultas que ficam interagindo com a atual.

É importante ressaltar que, segundo a visão do autor, as vidas passadas continuam existindo de forma autônoma no bloco psíquico. Ou seja, quando encarnamos, elas continuam mandando energias deletérias que precisam ser escoadas e retrabalhadas, com o objetivo da evolução da criatura.

Vejamos agora o que diz a nova geração da mesma família.

 

[1] Vide http://www.dcc.unicamp.br/~carlosma/tvp.html

[2] Informações baseadas na palestra proferida pela Dra. Maria Julia Prietro Peres em 2002, no III Congresso da SBTVP – “A reencarnação e o despertar da consciência”, Campinas, 2002.

[3] Vide http://www.trvperes.com.br

 

Monografia parte 4 – O método de Marcio Godinho

 elemental2

 

Márcio Godinho, natural de Lagoa Vermelha, é autodidata, reiki master e pesquisador do psiquismo. Tem alguns diferenciais na sua abordagem da TVP, diferenciais que na verdade complementam e integram todas as Escolas apresentadas acima, além da junção com outros métodos alternativos.

Seguindo à risca o ideal de formar um Terapeuta Holístico, tem a preocupação em apresentar toda uma formação de base, e adicionar mais técnicas além da escolhida pelo cursando. No programa do qual fiz parte, além de aprender sobre TVP conheci um pouco sobre o Eneagrama e os Tipos de Personalidade, os Florais de Bach e a Apometria.

 No tocante à TVP, Márcio trabalha com a indução direta, ao invés de usar longos relaxamentos. Com a indução direta o tempo para entrar em regressão varia, mas é reduzido em pelo menos 50% – o que é bem prático.

Aliás, praticidade é o forte do autor: a terapia vai sempre direto ao assunto, sem mais delongas, com a finalidade de trabalhar o trabalhável da forma mais rápida e eficiente possível. É extremamente contra gerar a dependência do paciente perante o terapeuta, e prega a autocura.

Explicando melhor: a idéia é retomar a origem dos problemas e sintomas atuais, ver quem está envolvido neles – níveis conscienciais da própria pessoa, de encarnados ou de desencarnados – e retrabalhar a energia que é liberada. A mesma energia que era usada anteriormente para produzir o sintoma vai agora ser transmutada para a cura, na medida em que esta for possível – num procedimento de reeducação holo-prática[1].

A metodologia usada: primeiro pergunta-se qual é a queixa principal, depois é feita a anamnese, onde palavras-chave são usadas para ver a reação do paciente, como angústia, medo, desconfiança, entre outras. Por fim, é feita uma ficha de indução, onde se escolhe um tópico a ser trabalhado e verifica-se qual é o quadro mental, emocional, físico e espiritual que esse tema produz.

A importância da pessoa estar consciente o tempo todo reside no fato do seu papel ser muito importante durante a terapia, pois ela terá que retrabalhar toda a energia que foi liberada e transmutá-la. Estando consciente, terá uma interação mais intensa, um domínio maior dos conteúdos que emergem. É comum inclusive que aconteça uma série de reações adversas, como enjôos, vômitos, tonturas, dor no local tratado caso seja um sintoma físico, amargura e instabilidade emocional. Tudo isso faz parte de um processo natural de escoamento de energias físicas.

O objetivo é fazer a pessoa se conscientizar e corrigir comportamentos equivocados, buscando não reincidir no mesmo padrão – nem cair no contrapadrão, que é tão doentio quanto. Esse processo pode ser extremamente doloroso, porque o mundo do indivíduo conforme ele o construiu estará ruindo, e ele precisará de bases mais sedimentadas para que consiga enxergar os acontecimentos ao seu redor com menos distorções. Mas o papel do terapeuta é justamente auxiliar nos dois processos: na transformação e correção dos atos e na reconstrução de um novo universo relacional, onde a pessoa estará apta a conviver — com a sociedade, consigo mesma e com as pessoas que lhe são caras — de forma consciente, redirecionada e equilibrada.

Para a formação do terapeuta, Márcio adota a idéia de que não é necessário ser psicólogo ou médico, e a realização do curso não é restrita apenas a esses profissionais. É muito importante porém algum conhecimento sobre o lado espiritual – e os dispositivos que gerenciam o evento da reencarnação – ou sobre as terapias alternativas e a psicologia em geral.

Ademais, o verdadeiro sucesso profissional será fruto do talento pessoal, do estudo disciplinado e das qualidades necessárias a um bom terapeuta: observação acirrada, encadeamento lógico aguçado, sensibilidade, ética pessoal, rapidez na interpretação de significados e erudição – elementos que faculdade nenhuma pode ensinar se não forem características naturais ou objetivos perseguidos pela pessoa continuamente no decorrer da vida.

O autor também discorda dos seguintes itens:

– Encadeamento causa/efeito feito a priori, como dizer que alguém que morreu enforcado terá dor de garganta. Esse reducionismo prejudica o decorrer da investigação, pois as possibilidades da causa da referida dor de garganta são inúmeras, considerando que cada pessoa reage de um modo específico a um determinado estímulo. Cada caso é um caso, e também adquirimos traumas nesta vida. Deve-se estudar a pessoa como um indivíduo, destituído dos modelos que o enquadrariam em algum perfil comportamental.

– Conclusões baseadas apenas na anamnese: ela dá o princípio do trabalho, mas as idéias extraídas a partir dali podem mudar e se tornarem inclusive opostas. Concluir algo precipitadamente limita o tratamento. Nesse sentido também é fundamental evitar questionamentos conclusivos.

– Márcio parte do pressuposto de que deve haver um reconhecimento entre a pessoa atual e os personagens passados, porque esse é o ponto chave para libertar ambos daquela freqüência. Embora esse ponto seja muito controverso no meio acadêmico, na verdade se apenas a pessoa for tratada, estará sendo desperdiçada uma chance talvez única de tratar todos os outros envolvidos.

     Dessa forma, mesmo sendo tratado como indivíduo, trata-se de um indivíduo inserido em um meio. E com o reconhecimento, é possível tratar centenas ou milhares de pessoas partindo apenas do paciente em questão.

Além disso, a importância desse ponto é que normalmente quem procura a terapia não é quem precisa; na verdade a pessoa que procura está precisando de ajuda para lidar com os outros (familiares, amigos, chefes, subalternos) aos quais está ligada. Ao tratar essa pessoa, a atitude dos outros à sua volta também irá mudar se eles forem tratados – mesmo não conscientes disso. E para tratá-los é necessário saber quem eles são.

– Não existem restrições sobre tipos de pessoas a serem trabalhadas, a não ser crianças com menos de 14 anos (são tratadas apenas em casos mais graves, e com acompanhamento dos pais) e deficientes auditivos.

– Sobre a questão da curiosidade: pacientes que chegam com essa motivação são aceitos, porque no fundo a queixa não é só a curiosidade, e isso é facilmente constatado na anamnese. Problemas, enquanto encarnados, todos temos, dado que esse é um planeta de provas e expiações, e a maioria das pessoas sequer tem consciência da verdadeira dimensão dos próprios problemas, pois muitos deles se apresentam como automatismos.

Existe muito mais a ser falado sobre o embasamento teórico de Márcio Godinho. A base bibliográfica trata de fundamentalmente dois autores: Roberto Assagioli e a Psicossíntese; juntamente com a Psicologia Integral de Ken Wilber.

Especialmente o italiano Roberto Assagioli coloca de forma clara a teoria sobre centro vital: onde está focalizada a energia da pessoa. E também ensina os estágios da terapia:

1) Formular o programa interior. Implica em ter uma visão clara das tarefas que são necessárias: quem sou eu / recompor o eu em escombros / não cair no contrapadrão / continuar em equilíbrio.

Se a pessoa for limitada isso vai levar um certo tempo (no sentido de ser resistente a abrir mão da própria vida para construir outra nova).

A pessoa pode estar com a auto-estima baixa, estar se esforçando ao máximo no seu limite, ter dificuldade de confiar nos outros. O terapeuta precisa ajudá-la a enxergar seus potenciais, dentro da própria realidade individual.

2) Deixar-se guiar pelo espírito interior. Quando a pessoa começa o processo terapêutico, algumas descobertas vão sendo feitas. Se ela não tomar as medidas apropriadas para a mudança, se continuar estagnada, fatos irão acontecer em sua vida para impulsioná-la. Essa fase tem como objetivo o contato com a sabedoria interna, com informações que sempre estiveram lá mas nunca foram percebidas.

3) Processo de desidentificação. O objetivo é alcançar a auto-identificação e autoconsciência pura através de técnicas, incluindo a TVP. A desidentificação significa compreender, separar e educar os automatismos. Estes, enquanto não forem trazidos para a consciência, vão se repetindo sucessivamente através de um ciclo que os desencadeia.

Márcio também trabalha com o conceito de subpersonalidade, que são como subníveis que assaltam a consciência. São especialmente de 4 tipos:

1)     Personalidades de inversão: sexo oposto.

2)     Personalidades de domínio: manipuladoras e ambiciosas.

3)     Personalidades de ambivalência: alternância entre papéis opostos.

4)     Personalidades de influenciação: querem atingir fins por outras pessoas.

 Existem também quatro faces da manifestação psíquica. São os aspectos:

a) Espiritual e anímico: onde está o núcleo vital. Anímico significa alma; espiritual, todo. Animismo é a intuição, telepatia, clarividência. É diferente de mediunismo, onde há a influência de espírito(s). Nosso espírito tem uma vida muito ampla, e a nossa alma não consegue mandar tudo para a nossa memória tão limitada (por isso temos problemas para lembrar dos sonhos).

b) Intelectual/mental: casos comuns por desajuste desse aspecto são amnésia, hipermnésia, ausência de consciência, pensamentos obcecados, transtornos psíquicos.

c) Emocional: vivificação dos nossos “eus”. Nos dá o parâmetro para saber se é bom ou ruim. Existem alguns casos interessantes: a distorção de sensação, que é a pessoa que está mal e vive sorrindo; a pessoa que mente e acredita na própria mentira; as pessoas que têm medo de ter um relacionamento por medo dele não dar certo.

d) Físico/comportamental: o corpo é quem sofre todas as descargas de energia do psiquismo. Ele é o ator, se comporta conforme o que pensamos. As partes mais vulneráveis são as lesões perispíriticas das outras existências. E nem sempre um corpo sadio reflete uma alma sã.

Enfim, a intenção da TVP é fazer com que a pessoa perceba os pontos que devem ser trabalhados e use essa consciência para transmutar o entulho psíquico que vem sendo carregado há séculos para uma nova vivência de  felicidade, paz e harmonia. É um trabalho árduo, doloroso, mas eficaz.

É importante ressaltar que a intenção da terapia nessa abordagem é tumultuar, sinalizar, e não mudar a vida da pessoa. A idéia é olhar para o problema e trabalhar gradativamente, e não em um passe de mágica.

Estando agora toda a teoria de TVP apresentada, podemos passar à segunda parte, minha bagagem de historiadora. Vejamos agora a interdisciplinaridade.

[1] Ou seja, contextualizar o processo de autoconhecimento tornando-se o próprio co-redentor, administrando o conteúdo que antes estava convertido em sintoma, ressignificando de forma terapêutica.

 

Monografia parte 5 – Possíveis diálogos entre Psicologia e História

auryn3

A busca pela interdisciplinaridade na historiografia acadêmica começou na França, com um movimento específico – a Escola dos Annales, em 1929. Contrariando o modelo de história baseado apenas em fatos políticos, um grupo de autores buscou a ligação com a parte sócio-cultural, em um intercâmbio com a Sociologia, Filosofia, Arte, Literatura, e com a Psicologia.

Temos três gerações de autores em tal segmento. Inicialmente Lucien Febvre e Marc Bloch. A segunda geração é representada fundamentalmente por Fernand Braudel. A terceira traz principalmente Georges Duby, Jacques Le Goff e Michele Perrot, uma das primeiras mulheres a participar ativamente da historiografia. Os últimos já deram origem ao fenômeno da História Nova.

Febvre começou trabalhando a Geografia Histórica. Bloch dava mais ênfase para a Sociologia. É dele a frase: “A consciência humana é o objeto da História. As inter-relações, as confusões, as contaminações da consciência humana são, para a História, a própria realidade”[1]. Ambos se encontraram na Universidade de Estrasburgo, e lá a interdisciplinaridade começou a florescer.

As obras principais de Marc Bloch: os Reis Taumaturgos, a Sociedade Feudal e Apologia da História. Os Reis Taumaturgos tem um tema bem inóspito: a crença de que os reis de Inglaterra e França podiam curar os doentes de escrófula, uma doença de pele provocada pela tuberculose. É a origem da preocupação com a Psicologia coletiva e religiosa, com grande influência de Durkheim, e da História comparativa.

Febvre fez um estudo sobre Martinho Lutero, iniciando o percurso da Biografia Histórica, e usando a Psicologia Histórica unida à História das Religiões e ao estudo da História Social. Sua biografia não tratava do indivíduo, mas da perspectiva de ter por centro um problema, uma discussão temática.

Juntos criaram a Revista dos Annales, que passou a exercer o papel de unir os intelectuais que primavam pela interdisciplinaridade e pelos estudos de História Social e Econômica, além da aplicação da Psicologia Histórica.

Peter Burke enfatiza:

“Por ser Bloch, freqüentemente, identificado como um historiador econômico, vale a pena dar atenção ao seu interesse pela Psicologia, bastante óbvio não só nos Reis Taumaturgos, mas também significativo em sua conferência sobre a mudança tecnológica, pronunciada para um grupo de psicólogos profissionais e onde pregava a colaboração entre as duas disciplinas”.

A escola dos Annales, p. 34

 

A segunda fase dos Annales traz Fernand Braudel. Suas principais obras foram o Mediterrâneo e Civilização Material, Economia e Capitalismo, em três volumes. Braudel compara a História dos acontecimentos com as ondas do mar. O seu objetivo seria, portanto, a história de longa duração, os padrões que se mantém ao longo do tempo. A abordagem principal é via Ciências Sociais e Geografia.

A terceira geração, atuante a partir de 1968, revela características da contemporaneidade. É policêntrica, diversificada, fragmentada mas unificadora, busca novas abordagens. Há, o retorno da História das Mentalidades com Phillipe Ariès – e o nascimento da História da Infância, da Morte e da Sexualidade.

Phillipe Ariès, a partir da demografia histórica, retomou o rumo dos fundadores da Annales, investigando melhor a mudança de mentalidade coletiva, no rumo da Psicologia Histórica. Juntamente com Georges Duby, coordenou uma coleção de cinco volumes importantíssima e inédita: a História da Vida Privada, que trouxe a colaboração de autores como Paul Veyne, Peter Brown, a História das Mulheres de Michele Perrot, Gerard Vincent, entre outros.

Há alguns nomes importantes para a Psicologia Histórica ainda a relatar:

a) Robert Mandrou: estudou saúde, emoções e mentalidades na França Moderna (século XVII), seguindo a linha de Lucien Febvre.  Também abordou a bruxaria e a cultura popular.

b) Jean Delumeau: sua obra mais importante é a História do medo no Ocidente, onde fala da temática do medo especialmente em relação ao mar, fantasmas, pragas, fome, Satã, judeus e bruxas. No seu trabalho usou as idéias dos autores Erich Fromm e Wilhelm Reich.

c) Alain  Besançon: estudou a Rússia do século XIX, e começou a falar em História Psicanalítica, analisando a relação pai e filho de Ivã o Terrível e Pedro o Grande.

Um pouco mais específico, e já dentro da historiografia americana, temos um historiador e psicanalista que não cessa de levantar a bandeira da interação entre as duas disciplinas: Peter Gay. Em seu livro Freud para historiadores, temos as seguintes assertivas:

“O historiador profissional tem sido sempre um psicólogo – um psicólogo amador. Saiba isso ou não, ele opera com uma teoria sobre a natureza humana; atribui motivos, estuda paixões, analisa irracionalidades e constrói o seu trabalho a partir da convicção tácita de que os seres humanos exibem algumas características estáveis e discerníveis, alguns modos predizíveis, ou pelo menos decifráveis, de lidar com as suas experiências. Descobre causas, e a sua descoberta geralmente inclui os atos mentais. Mesmo construtores de sistemas materialistas, como Karl Marx, que sujeitam indivíduos às pressões inevitáveis das condições históricas, admitem e declaram que entendem o papel desempenhado pela mente. Entre todas as ciências auxiliares do historiador, a Psicologia é a sua ajudante principal, embora não reconhecida.”

Freud para Historiadores, p. 25

 Nesse sentido Peter Gay entra na discussão da Psico-história, muito popular nos Estados Unidos, que gerou tantas biografias feitas por historiadores e está bastante ligada à corrente metodológica da História Oral. Levantam-se questões como a influência da infância e da vida pessoal de grandes líderes nas suas decisões, e o uso da teoria freudiana das pulsões para determinar a causa de determinadas atitudes.

A história tem duas dimensões: a individual e a coletiva. Passando ao fenômeno de massas: o psicólogo Gustave Le Bon[2] e os historiadores Robert Darnton[3] e Georges Lefebvre[4], cada um em sua especialidade, analisaram o que leva a multidão a se agitar freneticamente e tornar-se sanguinolenta, ou a seguir um líder de forma passiva. Le Bon defende a irracionalidade das massas, Lefebvre mostra a lógica de suas ações, e Darnton mostra a parte cultural e a atuação da mídia.

Sobre a questão de como as massas recebem e processam a informação, temos Michel de Certeau[5]. Isso para citar alguns exemplos entre os historiadores, pois se a intenção for abordar a fundo a Psicologia Social teríamos que citar muitos outros, como por exemplo Moscovici[6] e Farr[7].

Existe mais uma vertente da Psicologia que bebeu na fonte da História para criar os seus preceitos. Carl Gustav Jung, que com seus conceitos de arquétipo, inconsciente coletivo, e o uso de símbolos e mitos, retoma muita da História do Período Clássico e Medieval.

Eis o que diz Phillipe Ariès sobre o tema:

“Mas o que é o inconsciente coletivo? Sem dúvida seria melhor dizer não-consciente coletivo. Coletivo: comum a toda uma sociedade em determinado momento. Não-consciente: mal percebido, ou totalmente despercebido pelos contemporâneos, porque , é óbvio, faz parte dos dados imutáveis da natureza, idéias recebidas ou idéias no ar, lugares-comuns, códigos de conveniência e de moral, conformismos ou proibições, expressões admitidas, impostas ou excluídas dos sentimentos e dos fantasmas. Os historiadores falam de “estrutura mental”, de “visão de mundo”, para designar os traços coerentes e rigorosos de uma totalidade psíquica que se impõe aos contemporâneos sem que eles saibam.”

História Nova, pp. 174-175

Para Jung, o Inconsciente Coletivo é constituído não por aquisições individuais, mas por um patrimônio coletivo da espécie humana. Esse conteúdo coletivo é essencialmente o mesmo em qualquer lugar e em qualquer época, não varia de pessoa para pessoa. Como o ar, este inconsciente é respirado por todo o mundo e não pertence a ninguém. Os conteúdos do Inconsciente Coletivo são chamados de Arquétipos, condições ou modelos prévios da formação psíquica em geral[8].

Nesse sentido entra a História: ela seria todo o conteúdo do Inconsciente Coletivo e dos Arquétipos[9], os mitos, imagens e símbolos que compõem a mitologia pessoal de cada um, e que se manifesta nos sonhos.

A psicóloga junguiana Sabina Vanderlei[10], do Rio de Janeiro, concedeu especialmente para esse trabalho um depoimento sobre a relação entre Jung e a História:

“Jung concebe o homem como um ser total, constituído de inúmeras partes que se interagem dinamicamente para formar esse todo. Não se pode olhar para o indivíduo isoladamente, assim como ele é entendido como um ser total, ele também está inserido num Todo, que pode ser chamado de Cosmo. Esse olhar total que Jung lançava em seus pacientes foi conseguido graças à sua observação clínica. Dentro da concepção de arquétipos, Jung percebeu que no período entre as Grandes Guerras Mundiais inúmeros conteúdos do inconsciente coletivo emergiram na consciência dos alemães, conforme escreve:

          “Já em 1918, pude verificar no inconsciente de alguns pacientes alemães certos distúrbios que não podiam ser atribuídos à sua psicologia pessoal. Tais fenômenos impessoais manifestavam-se sempre nos sonhos através de motivos mitológicos, como é também o caso, nas lendas e contos de fadas de todas as partes do mundo. Denominei esses motivos mitológicos de arquétipos., que são os modos ou formas típicas em que esses fenômenos coletivos são vivenciados.” (Jung, vol X/2, parágrafo 447).

        Essa correlação entre fatos históricos e manifestações do inconsciente é citada diversas vezes nas obras de Jung. Sua concepção da Psique como um todo formado por pares de opostos que lutam para compensarem-se mutuamente com o objetivo de equilibrarem-se faz com que observemos que o homem não é um ser isolado. Assim como a consciência compensa o inconsciente, também a personalidade total do indivíduo compensa os fatos que ocorrem no seu meio circundante. 

A Psicologia e a História são dois saberes que caminham juntos. Se a História olha para o coletivo, a Psicologia olha para o individual, são como dois lados de uma mesma moeda. O Psicólogo clínico, por exemplo, encontrará em seu consultório indivíduos queixosos de problemáticas individuais mas também ele é um produto social. A clínica, portanto, seria o reflexo de tudo aquilo que acontece naquela sociedade. Um caso de anorexia, por exemplo, chega até o consultório refletindo toda aquela mentalidade social de que a mulher tem que ter aquele corpo perfeito.

        A conseqüência da Psicologia individual é a História da humanidade. O que hoje lemos nos livros são resultados das ações dos nossos antepassados. Nossos filhos lerão os resultados de nossas ações. O homem holístico (do grego, holos = todo) age no meio e também sofre a ação deste. Nesse sentido, um psicólogo não pode desvincular-se dos acontecimentos atuais de sua sociedade, pois aí estão as mais valiosas pistas para entender o seu objeto de estudo: o homem.”

Continuando no exemplo do Holocausto, grandes fenômenos históricos também poderiam ter a sua veia psicológica de explicação. No que concerne à questão do líder e sua repercussão no comportamento individual, Daniel Goldhagen aborda a teoria dos carrascos voluntários alemães no regime nazista, e a origem histórica e psicológica do anti-semitismo na Alemanha.

Dentro da História das Mentalidades, o livro começa mostrando Wolfgang Hoffmann, capitão de um dos batalhões 101 na Polônia, se recusando a assinar uma declaração que o obrigava a não saquear. Isso ia contra a sua moral, porque seus homens jamais roubariam judeus. Mas matá-los era normal. Além disso, essa negativa, e todo o restante da argumentação do autor, deixam claro que os soldados agiam por convicção íntima, e não por medo de punição.

Goldhagen enfatiza que para entender o anti-semitismo alemão devemos buscar os moldes cognitivos que embasam o pensamento, que podem ser encontrados nas verdades axiomáticas da conversação social, das quais poucos divergem. Ou seja, como prega a Escola dos Annales, o autor usou fontes de documentação alternativas, usadas pelas pessoas no dia-a-dia, onde a mentalidade geral compartilhada se faz presente, e há a percepção sobre o mundo social que a cultura apresenta ao indivíduo.

Logo, a cultura e as motivações dos homens são todo um intrincado de fatores e elementos, que têm que ser entendidos na sua totalidade – mais ou menos como prega a Terapia Holística.

Peter Gay explica melhor a teoria das pulsões e do determinismo psíquico aplicada à história:

“As descobertas da psicanálise falam diretamente à paixão do historiador por complexidade. Isto é como as pessoas são: sacudidas por conflitos, ambivalentes em suas emoções, procurando reduzir tensões através de estratagemas defensivos, e na maior parte vagamente, ou nada, conscientes do que sentem e de que agem como o fazem – de por que sabotam as próprias carreiras, repetem casos desastrosos, amam e odeiam com uma paixão que nos momentos de sobriedade simplesmente não compreendem. Os sentimentos e as ações humanas são em grande medida sobredeterminados, inclinados a terem diversas causas e a conterem diversos significados.

Como descobridores e documentalistas da sobredeterminação, os psicanalistas e os historiadores, cada um à sua maneira, são aliados na luta contra o reducionismo, contra as explicações monocausais ingênuas e pouco elaboradas. O ponto de vista psicanalítico das pulsões dá conta tanto da sua uniformidade quanto da sua variedade; a proposição de que as pulsões formam um conglomerado unido em uma família de impulsos que busca satisfação oferece boas razões para que o historiador reconheça e analise motivos humanos de indivíduos e sociedades longínquas sem os reduzir a cópias pálidas de seus próprios traços culturais.”

Freud para Historiadores, pp. 73 e  84

          Ou seja, continuando no exemplo supracitado, seria muito simples dizer que o anti-semitismo milenar aplicado na Alemanha causou o Holocausto, assim como seria reducionista dizer que a culpa é dos alemães perpetradores. Existe toda uma gama de fatores em questão, incluindo os inconscientes.

         Mas até agora estamos falando da História Tradicional. Vejamos o que o lado espiritual pode acrescentar.

 

[1] Bloch, Marc – “The historian’s craft” pg. 151.

[2] Le Bon, Gustave – “Psicologia das multidões”. Lisboa: Abel D’Almeida, 1908.

[3] Darnton, Robert – “O grande massacre de gatos e outros episódios da história cultural francesa”. Rio de Janeiro: Graal, 1986.

___________”O beijo de Lamourette. Mídia, cultura e Revolução”. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

[4] Lefebvre, Georges – “A Revolução Francesa”. São Paulo: Ibrasa, 1966.

[5] Certeau, Michel de – “A invenção do Cotidiano”. Petrópolis: Vozes, 1994.

[6] Moscovici, S. – “A representação social da Psicanálise”. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

[7] Farr, Robert – “As raízes da Psicologia Social Moderna”. Petrópolis: Vozes, 2002.

[8] Vide Fadiman, J. e Frager, R. – “Teorias da personalidade”. São Paulo: Harbra, 1986.

[9] Incluindo Animus e Anima.

[10] Contato: sabinavanderlei@terra.com.br             

 

Monografia parte 6 – Visão pessoal e adaptações ao método

campo-girassol1

Durante toda a minha formação de Historiadora, algumas indagações não me saíam da mente. Especialmente, aproveitando o exemplo supracitado: por que os judeus tiveram que passar pelo Holocausto? O que justificaria a morte de 6 milhões de pessoas de forma tão bárbara?

Apesar de existir vasta bibliografia sobre o tema, nunca encontrei uma resposta satisfatória. Até o meu reencontro com os dizeres de Mestre Ramatís. Sua obra já gerou tanta polêmica pela questão do juízo final e da diferenciação entre Jesus e o Cristo Planetário, que uma nota de rodapé muito instigante passou batida aos olhos dos historiadores, e foi sabiamente apresentada a mim por Sidney Carvalho, um dos articuladores do Projeto Bandeirantes da Luz na Terra. Ei-la:

“Nota de Hercílio Maes: Segundo certo comunicado mediúnico por entidade de reconhecido critério espiritual, Hitler, no passado, foi o Rei Davi, e comandou inúmeras vezes as hecatombes sangrentas registradas amiúde, na Bíblia. Mas, de acordo com a lei de “quem com ferro fere com ferro será ferido”, o seu espírito retornou à Terra, na Alemanha, e, sob a injunção do Carma, abriu as comportas do sofrimento redentor para os próprios comparsas e soldados que comandou outrora e lhe cumpriram fielmente as ordens bárbaras. Assim, os mesmos judeus que ele trucidou neste século, nos campos de concentração, já tinham vivido com ele e eram os mesmos soldados e comparsas impiedosos, afeitos aos massacres dos povos vencidos. Como exemplo a  esmo das barbaridades cometidas pelo rei Davi e seus exércitos, no passado, eis o que se encontra em II Samuel, 12:31 e transcrevemos: “E trazendo os seus moradores, os mandou serrar; e que passassem por cima deles carroças ferradas; e que os fizessem em pedaços com cutelos; e os botassem em fornos de cozer tijolos; assim o fez com todas as cidades dos amonitas; e voltou Davi com todo o seu exército para Jerusalém.”

O Sublime Peregrino, p. 32

 

Tal afirmação tem conseqüências muito sérias para a historiografia. Significa dizer que a mesma pessoa que os judeus idolatram é a criatura mais odiada e perversa que já existiu para eles, ao mesmo tempo.

 Partindo dessa revelação bombástica, com base em todos os questionamentos levantados pela História das Mentalidades, e alicerçada no estudo sobre TVP, decidi que meu caminho seria buscar a História Espiritual, os bastidores da História Oficial, a parte que não é divulgada, mas que permanece no conhecimento ocultista da humanidade, e que cada vez floresce mais nessa nossa Era de Aquário recém iniciada.

O trabalho começou com A caminho da Luz, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, uma verdadeira cartilha de História, escrito em 1938! Nele Emmanuel deixa clara a origem capelina de todos nós, como também Edgard Armond, em Exilados de Capela (1951).

Essas e outras obras mostram que uma multidão foi enviada de Capela, que fica na constelação do Cocheiro, por não estar afinizada com a vibração planetária. Capela estaria passando pela mesma fase que nós passamos agora[1]. Existe um trabalho excelente de depoimento oral de um capelino, na obra Os Filhos das Estrelas, da Dra. Maria Teodora Ribeiro Guimarães. Eu mesma tive acesso a um depoimento, que será relatado adiante.

Esses capelinos chegaram à Terra e se misturaram com os terrícolas primitivos e com os atlantes, que viviam o auge da sua civilização. A origem dos atlantes ainda é muito discutida. Mas como é relatado no capítulo inicial de Akhenaton – a revolução espiritual no antigo Egito, por Roger Bottini Paranhos, com a chegada dos capelinos começou a decadência atlante, e um grupo se organizou para salvar o conhecimento que seria levado para outras partes do globo.

As obras de Roger Feraudy também mostram a herança atlante no Brasil (Baratzil e A Terra das Araras Vermelhas) e na Revolução Francesa (Flor de Lys). Ou seja, vários itens negligenciados pelos currículos escolares seriam de suma importância para explicar nossas origens e para conferir mais lógica aos futuros acontecimentos, dado que estão todos encadeados.

Um bom número de psicólogos publicou relatos de seus pacientes, alguns historicamente passíveis de verificação. Mas a única que realmente se enveredou pelo processo foi Helen Wambach.

A dra. Wambach catalogou historicamente mais de 1000 casos de regressão, fazendo estudos de gráficos e tabelas para compará-los com a estatística histórica oficial – e o resultado foi correlato.

Um outro trabalho investigativo sobre o conteúdo das regressões é Histórias de reencarnação, da jornalista Rosemary Ellen Guiley, que conversou com terapeutas e pacientes e arregimentou uma série de histórias, passando pela Atlântida, Império Romano, Assíria, Império Asteca, Oriente Médio, Era Vitoriana, entre outras. O objetivo era ver como essas pessoas passavam a encarar a vida após passar pela experiência da regressão.

Meu objetivo, além da terapia, é a pesquisa das histórias. Poucos pacientes conseguem acesso a nomes e datas, mas alguns conseguem e de forma bem nítida. Com o decorrer do tempo pretendo recolher dados e ir pesquisando na medida do possível.

Nesse sentido, a minha contribuição pessoal ao método de Márcio Godinho seria incluir perguntas mais detalhadas sobre a vida que está sendo revista, não me concentrando somente no sintoma. Para as pessoas que conseguem visualizar detalhes, a partir de um termo de consentimento, depois de resolvidas as questões clínicas que a trouxeram, será realizado um trabalho de pesquisa através da TVP.

Por que através da TVP? Porque assim não ficará apenas a minha impressão pessoal dos registros akáshicos. Mais ou menos como buscou L. Paranhos, usando uma médium para a pesquisa e uma vidente para confirmar o que a médium estava vendo, estudo relatado em Viagens Psíquicas no Tempo.

Vamos agora aos pacientes.