Matéria no Jornal Hoje Livre – 22/5/2011

Será possível voltar atrás e resolver as pendências do passado? É isso que a Terapia de Vidas Passadas (TVP) propõe. O assunto parece um pouco complicado, já que envolve presente, passado e futuro, mas o fato é que, para quem crê, a TVP ajuda a reviver nossas vidas anteriores e tratar bloqueios, sintomas, sofrimentos, fobias, dores e vários outros problemas que, na vida atual, não nos damos conta que é algo do passado.

A TVP é reconhecida como uma terapia rápida, objetiva e eficiente. Isso porque a regressão nos coloca de frente com a raiz do problema. “Com o ritmo alucinante que vivemos nos dias atuais, a maioria das pessoas não quer mais perder tempo e dinheiro com psicoterapias longtas e desgastantes”, contou a terapeuta holística Camila Sampaio.

Camila trabalha com regressão há 8 anos. Apaixonada pelo que faz, a psicóloga e historiadora nos recebeu em um atarde fria, e explicou o que é Terapia de Vidas Passadas. Camila fez questão de lembrar que não é perigoso, como muita gente pensa, e que regressão é uma forma de prevenir problemas futuros. Diferente do que é mostrado nas novelas e filmes que abordam essa questão, a pessoa que faz a terapia holística lembra-se de tudo que aconteceu nas vidas anteriores, sem estar desacordada.

A consulta começa com uma entrevista sobre a vida atual e a partir da próxima sessão a pessoa já entra em alguma vida passada que tenha ligação com algo de ruim que esteja acontecendo no presente. São trinta minutos de conversa, uma hora de regressão e trinta minutos de finalização. A terapeuta confessa que no dia , um desgaste muito grande toma conta da pessoa, e é contra indicado que se tenha grandes responsabilidades nesse dia: “o processo é intenso, tanto para mim quanto para quem faz”, revelou.

Conflitos com o passado

A ideia de voltar para outras vidas, se ver em lugares diferentes, colado em outra história, desperta curiosidade mas pode gerar desconforto e medo. Para a secretária Madalena Lopes, seu espírito não está preparado para reviver momentos de angústia. “Tenho medo da TVP, porque se eu descobrir que fui uma assassina, por exemplo, não sei como continuaria a viver sabendo que fiz tanto mal para alguém”. O caso de Madalena é explicado pela historiadora e é muito comum.

Camila contou que já viveu 90 vidas, e que por essa andança pelo passado ela já foi um guerreiro que destruiu uma aldeia inteira: “foi chocante saber que fiz mal para tanta gente, tive que trabalhar esse sentimento. Mas hoje faço o bem”. A terapeuta revelou que em outras vidas ela era uma excelente dona de casa, coisa que hoje ela afirma não ser; já foi uma ótima mãe, e na vida de hoje ainda não conseguiu realizar essa proeza. “Na regressão  é comum encontrarmos pessoas conhecidas. Meu marido e eu temos 5 vidas de reencontros”.

Há oito anos trabalhando com terapia de vidas passadas, Camila revelou um momento inesquecível vivido em seu consultório, que foi marcado por muitas lágrimas. “Uma amiga minha de faculdade me procurou porque estava passando por momentos difíceis: seu pai tinha falecido, ela tinha problemas de relacionamento e estava muito confusa. Durante a regressão, participamos de uma reunião no plano espiritual, onde mostrou que o filho que ela traria futuramente no ventre seria o próprio espírito do pai, que ela sentia tanta falta. Foi uma cena linda!”

“Somos seres espirituais vivendo uma experiência num corpo físico. Podemos viver a plenitude da vida descobrindo quem somos e o que viemos fazer aqui na Terra.” Essas são as considerações finais de quem já escreveu 2 livros sobre regressão (mais 1 de Hugo Lapa, autor da frase). Se você quer saber mais sobre o assunto visite o site:

www.terapiadevidaspassadas.net

Matéria Revista Claudia – Terapia de Vidas Passadas

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Segue abaixo a matéria da Claudia de abril de 2009, para a qual fui entrevistada:

Terapia de Vidas Passadas

(até para quem não acredita)

 

O objetivo não é descobrir se você foi uma camponesa ou uma rainha no século 16, e sim acionar camadas profundas do inconsciente para desbloquear emoções, tratar fobias e sintomas crônicos

           

Será que o seu problema atual tem uma causa muito mais antiga do que imagina? Esse é o mote da Terapia de Vidas Passadas (TVP), que chegou ao Brasil há pouco mais de 20 anos.

O método teve origem nos Estados Unidos na década de 1960 e permite acessar experiências registradas na área mais profunda do inconsciente. O tratamento dura de quatro meses a um ano e é indicado para vários tipos de fobia e questões emocionais; casos de infertilidade que a medicina não explica (quando não há motivos biológicos); ou queixas pontuais de saúde, como enxaqueca crônica. “Muitos procuram a TVP depois de passar por diversos tratamentos médicos e terapêuticos sem resultado” conta Milton Menezes, que coordenou o Seminário Internacional de Terapias Regressivas, realizado em 2008 no Rio de Janeiro.

O processo inicial da TVP é simples: a pessoa fica deitada, em ambiente tranquilo. O terapeuta faz uma contagem regressiva que a induz a acessar uma imagem, um som, alguma reação física ou a intuição. O paciente revela esse conteúdo e o terapeuta faz perguntas a respeito. Depois disso, há várias sessões de conversa para elaborar as emoções mobilizadas.

 

Efeito positivo

 

A paulista Marta de Abreu Mendes, 48 anos, procurou o método em 2006, depois de sofrer por mais de três decadas de blefarite. “O problema começou quando fiz 15 anos: minha pupila esquerda tinha uma dilatação inexplicável, o que provocava dor e inflamação ocular, além da descamação da pálpebra. Fiz dezenas de exames e vários tratamentos médicos sem conseguir alívio. Recorri à TVP como último recurso. Na sessão, me vi adolescente, mais ou menos com a mesma idade que tinha quando apareceu a doença. Estava com roupas antigas, rodeada de sacerdotes que queriam me punir porque eu via espíritos. Eles arrancaram meu olho esquerdo! Durante uma hora, revivi toda a dor física, o pavor, o trauma, mas saí de lá aliviada e, desde aquele dia, a blefarite desapareceu. A pupila continuou dilatada, mas as dores acabaram e os últimos exames comprovam que meus olhos voltaram ao normal. Além disso, eu tinha medos infundados, que sumiram.” Porém, será que tal episódio aconteceu mesmo em uma vida passada? “Não há como saber. Mas, para mim, o efeito foi tão positivo que isso não importa”, diz Marta, que não segue religião alguma.

Para os especialistas, os benefícios estão associados à possibilidade de acessar os níveis mais profundos do inconsciente, e não às crenças religiosas.

“Já tive vários pacientes ateus e evangélicos, que não creem em reencarnação”, diz Menezes. Ele explica que , embora muitos episódios da regressão sejam trágicos, envolvendo situações de violência e morte, os momentos bons também são acessados e trazem conforto.

Depois da regressão, as sessões de conversa são importantes, para associar a experiência com a vida atual. “Na catarse, a pessoa descarrega aquela energia presa e, então, começamos a fase de “desidentificação”: o paciente toma consciência do que viveu, resgata o que faltava ser apreendido e encontra os meios para harmonizar o presente. A TVP pode, inclusive, acessar memórias dessa vida mesmo”, afirma a terapeuta Camila Sampaio, de São Paulo.

Ela conta o caso de uma jovem que procurou a terapia porque estava se relacionando com dois rapazes. Ficava perturbada, mas não conseguia se decidir. Fazendo a regressão, ela viu a mãe, ainda jovem, que, apesar de ter um namorado, se apaixonou por outro, com quem acabou se casando grávida. O antigo namorado descobriu a traição e ficou com muita raiva. Na vivência, a moça viu o pai e o outro homem brigando. Ao chegar em casa, conversou com a mãe. Ela confirmou a história, que precedera seu nascimento, e até mostrou uma foto do ex-namorado – era idêntico ao que a jovem tinha visto na sessão de terapia. “A sessão teve um efeito de limpeza energética, a jovem deixou de se sentir perdida e escolheu o parceiro com quem queria ficar”, relata Camila.

 

Sem mitos

 

·        Se a motivação para fazer a TVP é saber se na outra vida você foi Cleópatra, a decepção será total. Embora os livros contem casos palacianos, 99% das regressões feitas em consultório revela episódios protagonizados por gente comum.

·        Durante a regressão, a pessoa não perde a consciência. Apenas 10% dos pacientes entram em transe superprofundo. Porém, como o processo inclui catarse (transpiração excessiva, gritos, choro), reações físicas e insights serão integrados até o fim da sessão. Não há risco de ficar “presa” no passado.

·        A TVP pode desencadear fortes emoções. Por isso, é contraindicada para gestantes e psicóticos. Cardíacos devem apresentar laudo médico antes de iniciar o processo.

·        Os conselhos de Psicologia não reconhecem a TVP como psicoterapia. Tente certificar-se de que o profissional escolhido tem experiência no setor de saúde e participa de pesquisas.

 

Revista Claudia – abril de 2009

Texto de Liliane Oraggio